O Verão de São Martinho

Os cachos trincadeira e maria-gomes ao pendurão como úberes atraindo mosquitos e a minha gula. Daqui de cima, do sobrado da minha infância que, quando eu crescer, será o primeiro andar da minha casa, pela porta que dá absurdamente para o telhado do alpendre, vejo lá em baixo um grupo de homens caminhando lentamente. Vêm do cemitério e vão em busca duma adega. Um ou dois malápios para fazer boca, e dois ou três copitos de vinho para molhar a goela. E logo se desfiam as maledicências, que na boca dos homens se disfarçam com um sarcasmo corrosivo e cruel, para não se confundirem com a alcoviteirice feminina, adocicada com meneios traiçoeiros; essa sim, obviamente manhosa e pérfida.

As primeiras chuvas como uma ameaça experimental, a ver se estamos distraídos, retiram, como se quisessem fazer negaças ao inverno, e o sol esperançoso regressa. Os castanheiros da quinta do Sobreirinho de folhas afogueadas de um castanho quase vermelho, e os plátanos a ganharem uma alegria de amarelo dourado nas copas cheias de sol, sobressaindo ao verde, que em vários comprimentos de onda, matizam o arvoredo em pano de fundo.

E aqui no sobrado, os santórios apurando sabores: os cachos ao pendurão, as peras em intumescimentos erógenos de puro açúcar e as bravo-de-esmolfe a perfumarem tudo, até metros e metros em redor.

Existe um encanto de doce decadência, nestes dias soalheiros que antecedem a força do inverno, só comparável à beleza de uma mulher a lutar contra o murchar do viço, uma doçura serôdia de fruta madura, como os santórios no sobrado da minha casa.
E um último alento de energia efémera revigora o ar de calor e luz, num ressuscitar patético de moribundo.
Mas todos acreditamos nisso, porque nos apraz, porque nos convém; porque se não acreditamos nas ilusões, só nos resta a realidade, e a realidade é que o inverno se seguirá à morte inelutável do verão, ainda que ele se levante pelo São Martinho, com a derradeira coragem de um soldado ferido de morte, para nos dar uma falsa esperança de vida.

Coisas de soldado

Soldier Things – Tom Waits

Volto a convidar-te minha amiga: vem sentar-te junto à minha lareira e beber do meu vinho. Vem embebedar-te de poesia.
Eu convoco aquele velho disco de vinil onde a estática já não me irrita. Sinto esses estalidos agora, como carícias nas rugas do tempo, uma ternura tua sobre a minha pele cansada de velho soldado.
A garrafa aguardará um pouco na garrafeira, para que nenhuma variação de temperatura acorde o vinho antes do tempo.
Quando a música nos soltar os pensamentos e a imaginação nos fizer sentir os taninos um tanto secos mas bem distintos e integrados na voz mineral, ligeiramente gorda, ligeiramente ácida, do Tom Waits, e uma nostalgia outonal crescer em nós como a revisitação de uma memória esquecida desde a juventude; então sim, eu convocarei o Frei João tinto para soltar a complexidade dos afetos, com fluidez e caráter, e amar-nos-emos com sabores de frutos silvestres de onde desponta um quase impercetível aroma herbal. E o suave balsâmico do nosso beijo será o sonho de qualquer escanção.
Talvez choremos um pouco também, porque, tu já sabes, não me basta o riso fácil; mas verás minha amiga, que os nossos corpos se reconhecerão, e faremos amor em frente ao fogo projetando as nossas sombras na parede da sala como se nos observássemos de uma outra vida.

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A Doce Estranheza do Regresso a Casa

Quando o táxi passa no Largo da Capela o sino dá as horas. Não sei quantas. As quatro cornetas do relógio eléctrico da torre de Aguim esganiçam-se com as ave-marias e depois berram as horas a que ninguém dá atenção. Acho que as pessoas se habituaram àquele despropósito de decibéis como se habituam a um mau cheiro.
O táxi desce lentamente a rua da Portela com o condutor a esperar pacientemente que as pessoas se afastem. As pessoas em Aguim conversam nas ruas e afastam-se apenas por gentileza quando um carro quer passar, o que parece ser entendido pelo taxista que não dá sinais de indignação ou sequer de impaciência.
Agora me lembro que o taxista me fez uma pergunta há imenso tempo, e respondo meio distraído:
– Sim, isto foi na guerra.
– Foi na Guiné?
É difícil imaginar agora que as pessoas hão-de desaparecer das ruas, que um dia a urbanidade há-de contaminar esta povoação como uma virose e destruir completamente a sua pitoresca ruralidade, e então, por não terem nada que fazer nos campos as pessoas hão-de sair das suas casas para os empregos o mais rapidamente possível, deixando as ruas vazias.
É sempre difícil imaginar que uma coisa a que nos habituámos e que criou a identidade de algo que nos era familiar, há-de desaparecer para sempre, para dar lugar a uma outra coisa no mesmo sítio, não porque seja melhor, não porque constitua uma evolução, mas apenas e tão só porque tudo neste mundo parece estar condenado a cumprir a regra mais inútil e estúpida de toda a criação: tudo tem fim.
Mas agora e aqui, está tudo na mesma, e é isso justamente que me surpreende. O mesmo ritmo, a mesma respiração, a mesma atmosfera, a mesma vida; como se eu não tivesse saído daqui há mais do que meia hora.
Cheguei a casa.
Parece que deixei o filme da “Aldeia da Roupa Branca” a meio, que depois assisti à pior parte do “Dia mais Longo”, mas que entretanto regressei.
Tudo na mesma em Aguim, e eu muito mais velho. Segundo a teoria da relatividade, deveria ser o contrário.
Deixei o taxista de novo sem resposta…
– Não foi na Guiné, foi em Moçambique.
– Aquilo lá está mau…
A luz sólida traz-me à memória, por contraste, a luz fluida de África; os objectos aqui mais tangíveis, quase ferindo os olhos, como coisas inorgânicas, áridas, quase feitas só de luz, sem a humidade omnipresente da selva que dá a todas as coisas uma viscosidade animal.
Dá-me a ideia que ainda não penetrei totalmente neste mundo, que ainda não me é possível perceber todos os pormenores, o próprio som no exterior do táxi tem dissonâncias estranhas, como se as vozes das pessoas por quem passamos fossem declamadas com o tom mal colocado, e os ruídos que me chegam aos ouvidos tivessem uma estranheza, um desconserto, a fazerem lembrar uma filarmónica a afinar os instrumentos antes do espectáculo.
Parece que estou num plateau durante a rodagem de um filme sem pertencer ao elenco. O táxi penetra no cenário num travelling lento, e os figurantes ignoram-no. Ou antes, passam eles por nós, desfilando de um lado e do outro.
– Aquilo lá está mesmo mau.
– Mas pra si acabou.
Olho a toda a volta tentando prestar atenção a tudo o que me vai envolvendo, tentando apreender os pormenores. As pessoas rindo despreocupadas. Duas mulheres falando em voz alta a uma distância de mais de vinte metros, sem esperar que se aproximem uma da outra, e continuando a falar alto mesmo quando já estão frente a frente. Um gato sobre um muro. Um cão passando por baixo e o gato enfolando à sua passagem, para esvaziar depois lentamente, à medida que o cão se afasta. No Sobreirinho um carro de bois faz com que o taxista pare o táxi. Uma junta de bois babando-se de dolência e extenuação, arrastando uma enorme carrada de estrume. Os bois, à vez, vão largando sobre o alcatrão do Largo do Sobreirinho, à medida que passam por nós, tartes frescas e fumegantes de bosta. O taxista abre o vidro como se se tivesse sentido convidado para fruir o aroma daquele festim escatológico. Eu também abro o meu e sinto o cheiro quente do estrume e depois o aroma fresco da bosta. De janelas abertas, o som do exterior aumenta e torna-se mais natural como se tivéssemos ambos regulado o equalizador de uma aparelhagem sonora.
O carro de bois segue pela rua da Lomba e o táxi faz os últimos 100 metros atrás dele ao ralenti.
– É verdade… Para mim acabou.
– Você tem saudades disto, não tem?
Algo muda em mim repentinamente. Como quando temos uma dúvida e de repente se nos faz luz; como quando estamos dolentes com a preguiça matinal, sem vontade de abrirmos os olhos, e de repente sentimos a lucidez da vigília; como quando estamos distraídos no meio de uma multidão de estranhos e de repente um rosto familiar sorri para nós. Realizou-se tudo em meu redor como se eu tivesse acordado.
Cheguei a casa.
Parece impossível, agora, que tenha deixado para trás tanta terra, tanto mar, tanta gente, tanta ansiedade, tanta dor. Parece que atravessei um túnel imenso e que acabei agora de sair para a luz do dia. Um passado de que já não faço parte. Uma história que não quer ser contada, uma história que já não sinto a menor vontade de contar.
– Tenho. Tenho mesmo saudades disto…
Cheguei a casa.
A 50 metros à minha frente, a minha mãe e a Ti Maria do Zé Sécio conversam ao sol.

A Grande Fome


As folhas de oliveira têm um som único quando ardem. A água do escorrido a ferver na trempe sobre o fogo, também. E o vinho a sair do garrafão para o copo? Tudo tem um som único, essa é que é a verdade. Tudo tem um sabor único, um cheiro único. E cada momento que passa é único também. Mas quando estamos entretidos a viver a vida, não damos por isso; e ainda bem, porque não há nada nesta vida que supere vivê-la. Mas chega sempre uma noite de verão como esta em que a vida parece que parou porque toda a gente dorme. Será tarde? Ter-me-ei esquecido das horas enquanto recordava o almoço em casa do Zé e da São e estes pensamentos antigos me assaltaram?
Mas sem me ter esquecido das horas, sem esta solidão, sem este silêncio, como poderia ouvir de novo as folhas de oliveira a darem estalidos no fogo, o escorrido a borbulhar na panela, o garrafão a gargarejar vinho para o copo e os movimentos das pessoas à minha volta, únicos e irrepetíveis?
A hora da ceia.
As coisas apareciam sobre a mesa vindas não sei de onde. Chegava a hora de comer e as mãos habituadas a tarefas árduas e rudes ganhavam movimentos leves de dança.
Nunca ninguém pegou numa boroa de milho como a minha avó. Trazia-a para a mesa envolta num pano com uma mão por baixo e outra por cima. Pousava-a e abria o pano com a elegância e o cerimonial de quem manuseava os paramentos da eucaristia. “Nunca com o lar para cima, meu filho, nunca com o lar para cima, que é pecado.”
A relação da minha avó com os alimentos era como o ritual da consagração, só encontrável entre as pessoas que produzem o que comem, e mais especialmente entre aquelas que alguma vez passaram fome. “Íamos inda de noite escurinha a Tamengos pra comprar uma mãoxita de farinha pra fazer pão e muitas das vezes vínhamos sem nada.”
A comida não era um dado adquirido para quem atravessou a Grande Fome, como a minha avó chamava à Segunda Guerra Mundial.
“No tempo da Grande Fome, meu filho, uma ocasião cheguei a casa tão feliz com uma farinha tão fina e tão branca; mas já quando a tendia parecia que era obra do diabo, peganhenta que não saía dos dedos, e depois de cozidas as broas ficaram duras que nem adobes. Que maldade, meu filho, que maldade! Que alma danada é o home que vende gesso misturado na farinha a uma pobre mãe que quer matar a fome à filha doente….”
Pesa na minha memória, como se eu a tivesse testemunhado, esta imagem da minha avó metendo massa de boroa no forno e tirando adobes, como se Deus tivesse enlouquecido. E não enlouquece no coração dos homens? Quem combateu sabe que sim. Quem pegou numa arma, ainda que para cumprir um dever, sabe que escondido dentro de cada um de nós há um deus enlouquecido.
E a minha avó limpava os olhos com os polegares como nunca vi fazer a ninguém. Como se quisesse esmagar as lágrimas. “Que maldade, meu filho, que maldade!”
Era mais aceitável morrer envenenado com comida estragada do que deitá-la fora. A minha avó amava cada pedaço de pão já rijo, cada fruto meio podre. “Primeiro as maçãs tocadas meu filho”, e eu cruelmente inocente: “Mas assim nunca comemos maçãs boas, vó!”
Um simples feijão-verde era o produto de muita dedicação, labor e contemplação, a boroa de milho não levedava sem uma oração adequada, e o meu avô aguardava pela chanfana como um pai aguarda pelo seu primeiro filho, fazendo círculos no pátio.
Experimentassem recusar um copo de vinho, que logo entenderiam isto. Quem recusa um copo de vinho não quer saber o trabalho que deu, e não há maior sacrilégio que recusar um copo de vinho a quem podou, empou, cavou, sulfatou, desramou, vindimou, pisou as uvas, e muitas vezes teve que lançar mão da água e do açúcar para operar o milagre da multiplicação quando a Natureza se mostra somítica. Recusar um copo de vinho ao lavrador, é como desfazer na obra de um artista, é como desfeitear um filho seu; faz-se um inimigo para a vida.
Às vezes de estômago vazio, vinham-nos as lágrimas aos olhos com a acidez, ou ficava-nos a língua perra como se tivéssemos ingerido um adstringente, mas ai de quem não tivesse um ar embevecido olhando a zurrapa a contraluz com um assentimento de aprovação. Quem mata o corpo a pouco e pouco para extrair da terra bruta o seu sustento e algum conforto e no-los oferece, não aceita menos que gratidão em troca.
Outras vezes pela noite dentro uma roda de amigos, celebrando a amizade num copo de vinho! E a minha avó de manhã: “De que tanto falam vocês?”
Que pena que te tenhas perdido, meu amigo, nos labirintos da vida que nos atraem e entontecem. Não sabes a falta que me faz erguer de novo o meu copo e proferir a maior das banalidades como se tivesse acabado de resolver todos os problemas da humanidade numa palavra. Foi o mais próximo que estive de ter um irmão. E vai mais um copo! Tu rias-te, e sem concordar, concordavas sempre; e eu não acreditando, acreditava sempre; sim, porque os homens precisam desta fraternidade. Os homens vivem em alcateia. Mais um copo, só mais um, e a noite lá fora não tardará sem nós.
Já quase não bebo, sabes? Só fora das refeições, quando encontro alguém que saiba o que é a amizade.
E quando ia lá fora urinar contra o muro do pátio? Não tardava nada, estávamos todos lá fora a urinar contra o muro. Quem nunca mijou contra um muro sem deixar morrer a conversa não sabe o que é amizade. E depois de arranjar espaço para mais, voltávamos para a adega. Só, só mais um, e a noite não amanhecerá sem nós. “De que tanto falam vocês?” lá perguntava a minha avó de manhã.
Ainda hoje não sei. Será que trazíamos em nós a memória genética da Grande Fome da última guerra? Será que antecipávamos um tempo futuro onde outra guerra nos haveria de roubar a própria juventude? De que falávamos nós pela noite dentro?
Ah, que interessa isso agora? Esse era o tempo de todas as certezas. Não fazíamos perguntas à vida; nós tínhamos as respostas.
Hoje O Zé e a São, da minha idade, lembram-se de mil histórias como esta. Mas cada história que recordamos é única para cada um de nós. Como aquele momento, hoje, ao almoço, era ele único e irrepetível também.
Enquanto traziam comida para a mesa era como se celebrassem todas as virtudes da Terra. Desde o início da Humanidade que o Homem celebra à mesa as virtudes da Terra, e é nesse acto colectivo que forja as cadeias da amizade.
E um imenso consolo feito de afecto e respeito tomou conta de mim e sobrepôs-se à gula. Não eram géneros colhidos nas prateleiras multicolores do hipermercado, como produtos de uma linha de produção, repetíveis e idênticos como clones, eram legumes nascidos lá mesmo, no quintal, onde outros aguardam a sua vez, sob o olhar paternal de quem lhes deu vida, era uma boroa oferecida pelas próprias mãos que a amassaram, como um acto íntimo de ternura. Era o vinho, que é sempre o orgulho da casa.
Perdeu-se isto. Só quem nunca teve isto dia após dia, dia após dia, não sente que se perdeu para sempre; ou que está mesmo, mesmo, prestes a perder-se.
E eu a pensar outra vez na minha avó a trazer a boroa como se fosse um tesouro, e a colocá-la na mesa como se fosse a taça da eucaristia.
Pela festa da Nossa Senhora do Ó, quando o leitão assado pontificava a abastança do almoço melhorado, e os olhos de todos se enchiam de uma grande alegria; no olhar da minha avó, havia ainda uma sombra de mágoa, e baixava envergonhado por destoar dos olhares de festa em redor. “Que é isso vó?”
“Que Deus me perdoe, meu filho, que nunca como uma migalha de pão que não me lembre da Grande Fome.” E esmagava as lágrimas com os polegares.

José Dentinho – Quando o corpo é uma prisão

Nocturne in c-sharp minor of Chopin

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Visita da Delegação de Coimbra da ADFA a um sócio tetraplégico

O Dentinho tem 65 anos. O Dentinho é tetraplégico há 44, há uma vida inteira. Tanto que, durante toda a conversa connosco nunca reviveu uma única memória anterior ao acidente que em terras de Angola, durante a Guerra Colonial, o privou de quase todos os movimentos e o condenou à prisão perpétua dentro do próprio corpo, como se antes disso a vida que viveu já não fosse sua.

No quarto, para além de uma televisão, de uma aparelhagem estéreo e de algumas fotos nas paredes, um crucifixo e uma imagem da Virgem de Fátima.

Lá fora, na viagem para aqui, sob o sol de Maio, fiadas intermináveis de crentes que receberam a graça da Virgem de Fátima cruzaram connosco enquanto pagavam, passo a passo, cada milagre recebido. Mulheres pelos seus homens, homens pelas suas mulheres, mães pelos seus filhos, a caminho da Cova da Iria. E ali a dois passos de nós uma velhinha, que já não pode dar um passo sob o peso dos seus 81 anos, parece desmentir as virtudes da fé.

Que terá feito para não ter merecido a graça de receber o seu filho de volta como o conhecera? Não acredito que não tenha pedido fervorosamente, a julgar pela imagem da Virgem num lugar de destaque.

– A minha mãe sofreu muito, sofreu muito.

Que me desculpem os muitos religiosos mas eu recuso-me a aceitar que esta mãe tenha feito alguma coisa a menos ou a mais, que todas as outras que seguem hoje para Fátima, para ter merecido a indiferença da Virgem.

Mas não façam caso, é difícil evitar a ingenuidade dos lugares-comuns ou a blasfémia fácil perante os grandes dramas da vida. E a verdade é que estávamos ali perante um dos mais difíceis de tolerar.

Ler entrevista completa em http://www.adfa-portugal.com/pdf/0610/04.pdf