Multibanco roubado de restaurante em Aguim

O alarme soou cerca das 03H30 de quarta-feira (24), momento em que os ladrões se introduziram no interior do restaurante Virgílio dos Leitões, em Aguim, Anadia. Arrombando as duas portas existentes no restaurante, cinco ou seis indivíduos terão ido diretamente ao local onde se encontrava a caixa do multibanco.

Notícia completa no Diário As Beiras

Coisas de soldado

Soldier Things – Tom Waits

Volto a convidar-te minha amiga: vem sentar-te junto à minha lareira e beber do meu vinho. Vem embebedar-te de poesia.
Eu convoco aquele velho disco de vinil onde a estática já não me irrita. Sinto esses estalidos agora, como carícias nas rugas do tempo, uma ternura tua sobre a minha pele cansada de velho soldado.
A garrafa aguardará um pouco na garrafeira, para que nenhuma variação de temperatura acorde o vinho antes do tempo.
Quando a música nos soltar os pensamentos e a imaginação nos fizer sentir os taninos um tanto secos mas bem distintos e integrados na voz mineral, ligeiramente gorda, ligeiramente ácida, do Tom Waits, e uma nostalgia outonal crescer em nós como a revisitação de uma memória esquecida desde a juventude; então sim, eu convocarei o Frei João tinto para soltar a complexidade dos afetos, com fluidez e caráter, e amar-nos-emos com sabores de frutos silvestres de onde desponta um quase impercetível aroma herbal. E o suave balsâmico do nosso beijo será o sonho de qualquer escanção.
Talvez choremos um pouco também, porque, tu já sabes, não me basta o riso fácil; mas verás minha amiga, que os nossos corpos se reconhecerão, e faremos amor em frente ao fogo projetando as nossas sombras na parede da sala como se nos observássemos de uma outra vida.

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A Doce Estranheza do Regresso a Casa

Quando o táxi passa no Largo da Capela o sino dá as horas. Não sei quantas. As quatro cornetas do relógio eléctrico da torre de Aguim esganiçam-se com as ave-marias e depois berram as horas a que ninguém dá atenção. Acho que as pessoas se habituaram àquele despropósito de decibéis como se habituam a um mau cheiro.
O táxi desce lentamente a rua da Portela com o condutor a esperar pacientemente que as pessoas se afastem. As pessoas em Aguim conversam nas ruas e afastam-se apenas por gentileza quando um carro quer passar, o que parece ser entendido pelo taxista que não dá sinais de indignação ou sequer de impaciência.
Agora me lembro que o taxista me fez uma pergunta há imenso tempo, e respondo meio distraído:
– Sim, isto foi na guerra.
– Foi na Guiné?
É difícil imaginar agora que as pessoas hão-de desaparecer das ruas, que um dia a urbanidade há-de contaminar esta povoação como uma virose e destruir completamente a sua pitoresca ruralidade, e então, por não terem nada que fazer nos campos as pessoas hão-de sair das suas casas para os empregos o mais rapidamente possível, deixando as ruas vazias.
É sempre difícil imaginar que uma coisa a que nos habituámos e que criou a identidade de algo que nos era familiar, há-de desaparecer para sempre, para dar lugar a uma outra coisa no mesmo sítio, não porque seja melhor, não porque constitua uma evolução, mas apenas e tão só porque tudo neste mundo parece estar condenado a cumprir a regra mais inútil e estúpida de toda a criação: tudo tem fim.
Mas agora e aqui, está tudo na mesma, e é isso justamente que me surpreende. O mesmo ritmo, a mesma respiração, a mesma atmosfera, a mesma vida; como se eu não tivesse saído daqui há mais do que meia hora.
Cheguei a casa.
Parece que deixei o filme da “Aldeia da Roupa Branca” a meio, que depois assisti à pior parte do “Dia mais Longo”, mas que entretanto regressei.
Tudo na mesma em Aguim, e eu muito mais velho. Segundo a teoria da relatividade, deveria ser o contrário.
Deixei o taxista de novo sem resposta…
– Não foi na Guiné, foi em Moçambique.
– Aquilo lá está mau…
A luz sólida traz-me à memória, por contraste, a luz fluida de África; os objectos aqui mais tangíveis, quase ferindo os olhos, como coisas inorgânicas, áridas, quase feitas só de luz, sem a humidade omnipresente da selva que dá a todas as coisas uma viscosidade animal.
Dá-me a ideia que ainda não penetrei totalmente neste mundo, que ainda não me é possível perceber todos os pormenores, o próprio som no exterior do táxi tem dissonâncias estranhas, como se as vozes das pessoas por quem passamos fossem declamadas com o tom mal colocado, e os ruídos que me chegam aos ouvidos tivessem uma estranheza, um desconserto, a fazerem lembrar uma filarmónica a afinar os instrumentos antes do espectáculo.
Parece que estou num plateau durante a rodagem de um filme sem pertencer ao elenco. O táxi penetra no cenário num travelling lento, e os figurantes ignoram-no. Ou antes, passam eles por nós, desfilando de um lado e do outro.
– Aquilo lá está mesmo mau.
– Mas pra si acabou.
Olho a toda a volta tentando prestar atenção a tudo o que me vai envolvendo, tentando apreender os pormenores. As pessoas rindo despreocupadas. Duas mulheres falando em voz alta a uma distância de mais de vinte metros, sem esperar que se aproximem uma da outra, e continuando a falar alto mesmo quando já estão frente a frente. Um gato sobre um muro. Um cão passando por baixo e o gato enfolando à sua passagem, para esvaziar depois lentamente, à medida que o cão se afasta. No Sobreirinho um carro de bois faz com que o taxista pare o táxi. Uma junta de bois babando-se de dolência e extenuação, arrastando uma enorme carrada de estrume. Os bois, à vez, vão largando sobre o alcatrão do Largo do Sobreirinho, à medida que passam por nós, tartes frescas e fumegantes de bosta. O taxista abre o vidro como se se tivesse sentido convidado para fruir o aroma daquele festim escatológico. Eu também abro o meu e sinto o cheiro quente do estrume e depois o aroma fresco da bosta. De janelas abertas, o som do exterior aumenta e torna-se mais natural como se tivéssemos ambos regulado o equalizador de uma aparelhagem sonora.
O carro de bois segue pela rua da Lomba e o táxi faz os últimos 100 metros atrás dele ao ralenti.
– É verdade… Para mim acabou.
– Você tem saudades disto, não tem?
Algo muda em mim repentinamente. Como quando temos uma dúvida e de repente se nos faz luz; como quando estamos dolentes com a preguiça matinal, sem vontade de abrirmos os olhos, e de repente sentimos a lucidez da vigília; como quando estamos distraídos no meio de uma multidão de estranhos e de repente um rosto familiar sorri para nós. Realizou-se tudo em meu redor como se eu tivesse acordado.
Cheguei a casa.
Parece impossível, agora, que tenha deixado para trás tanta terra, tanto mar, tanta gente, tanta ansiedade, tanta dor. Parece que atravessei um túnel imenso e que acabei agora de sair para a luz do dia. Um passado de que já não faço parte. Uma história que não quer ser contada, uma história que já não sinto a menor vontade de contar.
– Tenho. Tenho mesmo saudades disto…
Cheguei a casa.
A 50 metros à minha frente, a minha mãe e a Ti Maria do Zé Sécio conversam ao sol.

Textos da Aqua Nativa novamente online

Na mudança para este endereço os textos sobre Aguim publicados na revista “Aqua Nativa” e que estavam aqui reproduzidos online “ficaram para trás”.

Pois eles estão de novo acessíveis, para quem quiser consultar, no endereço documentos.aguim.net.

Relembro que essa revista, publicada em Julho de 1994, inclui os seguintes artigos:

Qualquer coisa que não esteja a funcionar devidamente peço que comuniquem, por favor, pelo e-mail blog@aguim.net. Obrigado.

Torneio Pro Evolution Soccer AJA – 9 de Outubro

Dia 9 de Outubro (Sábado), a partir das 15h na sua sede (na Junta de Freguesia), a AJA promove um Torneio de Pro Evolution Soccer aberto a todos os sócios e, também, aos não sócios.

Junto à sala onde vai decorrer o torneio vai estar instalado um bar disponível para todos, participantes e não participantes.

A inscrição custa 2 euros para sócios e 3 para não sócios. O prazo de inscrições termina na véspera do torneio, dia 8 de Outubro. Haverá um prémio para o vencedor que será anunciado mais tarde.

Mais informações no endereço: http://aja.org.pt/2010/09/torneio-pro-evolution-soccer/