Aguim

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A origem etimológica da palavra Aguim está directamente ligada à ocupação romana e à origem da povoação. Vem de “Aquilini”, ou mais propriamente de “villa Aquilini”, ou seja “quinta do Aquilino”. Desses tempos poucos foram os vestígios de que sobrou notícia. Conhecidos apenas os vestígios de umas sepulturas de tijolo encontradas nos “Chães de S. Miguel” e, eventualmente um ou outro pequeno vestígio cerâmico ou metálico.

Se é certo que foi com os romanos que tudo começou, as notícias referentes a Aguim só voltam a surgir na Idade Média, no momento de ocupação e organização do território conquistado aos muçulmanos. Longo foi o período de esquecimento marcado pelas invasões bárbaras, a formação dos reinos suevo e visigótico, a invasão muçulmana e os avanços e recuos da reconquista cristã. A tudo deve ter resistido o foco populacional erigido em redor da “villa” do romano Aquilino pois, parece difícil a extinção da povoação e sua posterior refundação.

A primeira notícia de Aguim é a que surge em 1101 numa carta de venda de metade de Morogos que pertencia a Elduara e seus filhos que a venderam a Gonçalo Bermudes e sua mulher Maria Daviz. Neste documento, Aguim surge como uma das confrontações, e teria o nome de Aquilin.As informações relativas aos tempos mediavais e modernos, do séc. XI ao XVIII referem-se essencialmente ao Couto de Aguim que englobava as actuais freguesias recentemente divididas.

O couto de Aguim foi instituído a favor da Sé de Coimbra por D. Afonso Henriques em Julho de 1140. Tal concessão terá sido uma forma de retribuição pela dádiva de 60 morabitinos de ouro que a citada Sé fornecera a D. Afonso Henriques. Desta maneira, o primeiro rei português veio a confirmar a doação de D. Raimundo e D. Urraca em 1094, do Mosteiro da Vacariça e seus bens à Sé de Coimbra. O couto compreendia nesta altura toda a actual freguesia de Tamengos, também já então existentes com a invocação de S. Pedro, e as povoações de Mata e Horta. Em 1238 o cabido de Coimbra deu foral ao couto. D. Manuel confirmou esse foral em 1 de Julho de 1514.

Todavia, a Sé de Coimbra não era a única detentora de terras em Aguim: o convento crúzio detinha igualmente alguns bens. Adquiriu-os por dádiva, via testamentos, e por compra. Todos estes bens de Santa Cruz vão ingressar, em 1545, no património da Universidade de Coimbra. Com a morte do último prior-mór de Santa Cruz, D. Duarte, filho ilegítimo de D. João III, o monarca decidiu anexar os bens deste priorado à Universidade definitivamente instalada em Coimbra desde 1537.

Aguim, como a esmagadora maioria do país vivia da agricultura. É o cultivo de cereais, de produtos hortícolas e a criação de gado que constitui o seu principal pilar económico. Mas, mesmo aqui, há espaço para a pequena produção artesanal. Para além dos indispensáveis moinhos e moleiros, existia um pequeno artesanato com alfaiate e sapateiros.

Aguim teria 53 fogos em 1527, ou seja cerca de 200 pessoas. Em 1758, Aguim, com o Peneireiro e Vila Franca, tinha 82 fogos, cerca de 300 habitantes e em 1791 seriam cerca de 400 almas para Aguim, 4 no Peneireiro, 24 em Vila Franca e 56 para Alpalhão.

O séc. XIX, com todo o seu cortejo de alterações veio trazer consigo o couto de Aguim em 1834. Extinto o couto, criou-se no mesmo espaço o concelho de Aguim que durou até 1836. A escassez de meios era grande apesar da integração em 1835 do concelho de Ventosa do Bairro. Para solver esta situação e simplificar o mapa administrativo, o concelho de Aguim foi inserido a 1 de Janeiro de 1837, no recém criado concelho da Mealhada. O couto de Aguim passou para a freguesia de Tamengos. Em 1853, a freguesia de Tamengos foi desanexada do concelho da Mealhada e integrada do de Anadia onde hoje se encontra, bem como a recentemente criada freguesia de Aguim.

Extinta nos anos 20 (o golpe mortal seria dado pela implantação do caminho-de-ferro que levou as pessoas a transferir-se para as povoações vizinhas de Alpalhão e, sobretudo, Aguim), Vila Franca era a antiga povoação localizada entre a E.N. 1 e o rio Cértima, junto ao local hoje denominado de Salgueira. As suas origens são tão remotas como as de Aguim. E, se desta se sabe que a mais antiga referência data de 1101, de Vila Franca só se poderá falar de um costume sem igual na região, e talvez até no país: o “desenterrar a Sesta” e o enterrar a Sesta”, que mais não era do que o exumar de uma enorme pedra, em 19 de Março, e o enterrar da mesma em 8 de Setembro, marcando assim o início e o fim da Sesta dos trabalhadores rurais.

Publicado por

Zé Cipriano

Programador informático. Depois de um site, chamado “Aguim Online” (fundado em 1998), iniciou o “aguim.net” em 2003.